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3 de outubro de 2016

Democracia em meio ao tiroteio: guerra do tráfico esvazia seções eleitorais na região central do Rio

Zona eleitoral vazia nas proximidades do Morro da Coroa
Zona eleitoral vazia nas proximidades do Morro da Coroa 
No Catumbi, região central do Rio, a violência ficou no caminho da democracia. Tiroteios entre traficantes de facções rivais que disputam o domínio do Morro da Coroa esvaziaram as seções eleitorais da Escola Municipal Estados Unidos e do Educandário Nossa Senhora de Nazaré, dois colégios localizados nas ruas Doutor Agra e Itaperu, exatamente no meio da linha de tiro dos bandidos: entre os morros da Coroa, invadido por bandidos da maior facção do Rio na madrugada da última sexta-feira, e da Mineira, onde se abrigaram os criminosos expulsos da favela vizinha.
O Nosso PORTAL chegou ao Educandário Nossa Senhora de Nazaré às 15h, mesmo horário em que começou o segundo tiroteio do dia — o primeiro, segundo os mesários, foi rápido, pela manhã. O confronto durou cerca de cinco minutos, com disparos de fuzil em rajada provenientes tanto da Coroa quanto da Mineira. Os eleitores, assustados, correram para dentro das seções eleitorais nos colégios. Mesários e até os dois PMs que faziam a segurança da zona eleitoral se protegeram atrás de portas e paredes. Um ônibus que passava pela Rua Itaperu voltou de ré para não passar pelos acessos do Morro da Coroa. Após o tiroteio, o policiamento foi reforçado em frente aos dois colégios. O movimento nas zonas eleitorais, entretanto, caiu.
Policiais reforçam a segurança em frente à zona eleitoral no Catumbi
Policiais reforçam a segurança em frente à zona eleitoral no Catumbi 
— Estava descendo a escadaria da favela quando o tiroteio começou. Muita gente não veio votar e se trancou em casa. Só vim porque estava no meio do caminho, mas quase não consegui votar porque estava sem carteira de identidade. Tive que implorar aos mesários. Imagina sair de casa debaixo de bala e não votar! — disse uma dona de casa moradora da Mineira, que pediu para não ser identificada.
Na 229ª zona eleitoral, que abrange o Morro da Coroa e os bairros do Estácio, Catumbi e Rio Comprido, a taxa de abstenção foi de 28% — maior do que a de toda a cidade, em que 24% não votaram.
Entrada do Educandário Nossa Senhora do Nazaré, às 15h
Entrada do Educandário Nossa Senhora do Nazaré, às 15h 
Bandidos investigados
A Polícia Civil investiga uma foto em que cerca de 20 homens armados aparecem encapuzados e armados com fuzis. Na imagem, os indivíduos aparecem equipados com coletes à prova de balas, botas e calças compridas. A fotografia foi enviada a policiais militares responsáveis pelo patrulhamento da favela na noite de sexta-feira, quando bandidos das favelas Fallet e Fogueteiro, no Rio Comprido, com o apoio de traficantes provenientes da Providência, no Centro, invadiram a Coroa.
Segundo agentes da Polícia Civil que investigam o tráfico na região, a invasão foi uma resposta à incursão de criminosos do Morro do São Carlos, no Estácio — ocupado pela mesma facção da Coroa — ao Turano, há 20 dias. Moradores da Coroa ouvidos pelo PORTAL afirmaram que o grupo de bandidos que invadiu a favela continua no local, enquanto traficantes da facção rival buscaram refúgio na vizinha Mineira. Ao longo de sábado e domingo, parentes de integrantes do tráfico da Coroa — que abriga uma UPP há mais de cinco anos — foram expulsos do local pelo bando rival e também tiveram que se abrigar em comunidades vizinhas. Desde ontem pela manhã, muros na entrada da favela estão pichados com as iniciais da maior facção do tráfico do Rio.
Imagem foi enviada a policiais e é investigada
Imagem foi enviada a policiais e é investigada Foto: Reprodução
Agentes que monitoram a região revelam que o bando expulso da Coroa pretende voltar ao morro. Ao longo de todo o fim de semana, traficantes de outras favelas dominadas pela mesma facção — como a Rocinha, em São Conrado, e a Pedreira, em Barros Filho — passaram a se concentrar na Mineira.

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